Em março de 2026, a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES) lançou a segunda edição do programa Nova Economia Capixaba, por meio do Edital 08/2026. Com um orçamento de R$ 40 milhões em recursos não reembolsáveis, o programa representa uma das maiores oportunidades de fomento à inovação já disponibilizadas para empresas do Espírito Santo.
Neste artigo, a Poliniza Projetos explica em detalhes como o edital funciona, quem pode participar, quais tipos de projeto são elegíveis e o que sua empresa precisa fazer para ter uma proposta competitiva.
O que é subvenção econômica — e por que ela é diferente de um empréstimo
Antes de entrar nos detalhes do edital, é importante entender o instrumento.
Subvenção econômica é uma modalidade de apoio financeiro público em que o governo aplica recursos diretamente em empresas privadas para compartilhar os custos e riscos de atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Diferente de um financiamento convencional, esse recurso não precisa ser devolvido.
No modelo adotado pelo Edital FAPES 08/2026, o financiamento funciona em coinvestimento tripartite:
- FAPES: entra com a subvenção econômica (recurso não reembolsável)
- Empresa: entra com contrapartida financeira (recursos próprios)
- ICT ou IES capixaba: entra com contrapartida econômica (laboratórios, pesquisadores, horas técnicas, equipamentos)
Essa estrutura garante que o projeto seja compartilhado entre os parceiros e aumenta as chances reais de execução e resultado.
Quanto dinheiro está disponível e como é distribuído
O edital disponibiliza R$ 40 milhões provenientes do Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (FUNCITEC).
Cada projeto deve ter valor total entre R$ 500 mil e R$ 3 milhões, somando subvenção, contrapartida da empresa e contrapartida da ICT/IES.
A divisão dos recursos entre os parceiros varia de acordo com o faturamento bruto anual da empresa:

Para exemplificar: uma empresa com faturamento de R$ 50 milhões anuais que apresente um projeto de R$ 2 milhões receberá R$ 1,1 milhão em subvenção da FAPES, precisará aportar R$ 600 mil em contrapartida financeira e contará com R$ 300 mil em contrapartida da ICT/IES parceira.
Quais tipos de projeto o edital contempla
O Nova Economia Capixaba está estruturado em dois eixos temáticos, e toda proposta precisa estar enquadrada em um deles:
Eixo 1 — Transformação Digital
Projetos voltados à produção e manufatura inteligente baseadas em IoT (Internet das Coisas), Inteligência Artificial, conectividade avançada, sistemas ciberfísicos, processamento e análise de dados (data lake), robotização e automação de processos, realidade aumentada e virtual, Digital Twin e manufatura aditiva.
Em termos práticos, esse eixo contempla empresas industriais que querem digitalizar processos produtivos, empresas de tecnologia que desenvolvem soluções de IA ou automação para setores específicos, e negócios que buscam integrar sensoriamento e dados à sua operação.
Eixo 2 — Tecnologias Sustentáveis
Projetos relacionados à geração de energia a partir de fontes renováveis, hidrogênio de baixa emissão de carbono, biogás e biometano, armazenamento de energia, captura e uso de CO₂, bioeconomia, descarbonização industrial, economia circular e segurança energética.
Esse eixo é especialmente relevante para empresas dos setores de energia, agronegócio, logística, mineração e indústrias de base que buscam reduzir sua pegada de carbono ou diversificar sua matriz energética.
Em ambos os casos, os projetos precisam estar alinhados ao Plano de Desenvolvimento de Longo Prazo ES 500 Anos e ao Plano Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (PCTI-ES).
Quem pode participar
Podem se candidatar empresas com sede administrativa ou filial no Espírito Santo que atendam cumulativamente os seguintes requisitos:
- Faturamento mínimo: receita bruta operacional acima de R$ 360 mil nos dois últimos exercícios fiscais
- Tempo de atividade: ativas há pelo menos 6 meses antes da submissão
- Regularidade fiscal: em dia com as Fazendas Municipal, Estadual e Federal, com certidão negativa trabalhista e adimplentes junto à FAPES (na fase de contratação)
- Restrição de editais anteriores: empresas contratadas nos Editais FAPES 07/2024 (Tecnova III), 10/2025 (Nova Economia Capixaba 1ª edição) ou 06/2026 (Clusters de Inovação) não podem participar
Filiais precisam comprovar faturamento local com notas fiscais de inscrição estadual no ES, ter pelo menos 3 funcionários CLT na unidade capixaba e comprovar infraestrutura instalada no Estado.
É permitida a participação em associação com outras empresas capixabas, na figura de empresa proponente e empresas coexecutoras.
O requisito de maturidade tecnológica: o que é TRL e por que ele importa

Um dos critérios mais importantes, e frequentemente subestimado, deste edital é a exigência de maturidade tecnológica mínima.
TRL (Technology Readiness Level) é uma escala internacional de 1 a 9 que mede o grau de desenvolvimento de uma tecnologia, desde o conceito inicial até a operação comercial plena.
O Edital FAPES 08/2026 exige que os projetos estejam no mínimo no TRL 5, o que significa que:
- A tecnologia já passou por avaliação de integração e interação dos componentes
- Existe ao menos um modelo ou protótipo em escala piloto desenvolvido
- O sistema foi testado em ambiente simulado próximo à configuração real
Projetos que ainda estão em fase de pesquisa básica ou conceituação (TRL 1 a 4) não são elegíveis para este edital. O objetivo do programa é apoiar a fase de validação e escalonamento da inovação – não a criação do conceito.
A comprovação da maturidade é feita por meio de documentação técnica específica (Anexo II), que inclui relatórios de desenvolvimento, registros fotográficos do protótipo, análises de desempenho e evidências de testes realizados.
Como funciona o processo de seleção
O edital opera em fluxo contínuo, sem prazo fixo de encerramento. As propostas são recebidas continuamente, avaliadas em ciclos mensais e classificadas para contratação conforme a disponibilidade de recursos.
O processo passa por quatro fases, todas eliminatórias:
1. Habilitação: Verificação documental pela equipe técnica da FAPES. A proposta é inabilitada se qualquer documento obrigatório estiver ausente, incompleto, ilegível ou fora do prazo de validade.
2. Análise de Conformidade Um Comitê de Conformidade avalia se o projeto está de fato alinhado às premissas do edital e aos setores do ES 500 Anos. É aqui que projetos mal posicionados, mesmo tecnicamente bons, são eliminados.
3. Avaliação de Maturidade Tecnológica (TRL) Um avaliador Ad Hoc especialista analisa a documentação de maturidade. Projetos que não comprovarem nível TRL 5 ou superior são desclassificados.
4. Julgamento de Mérito Dois avaliadores Ad Hoc pontuam o projeto em 8 critérios com pesos diferentes:

A Nota Final mínima para aprovação é 80 pontos. Além disso, o projeto não pode ter nota individual inferior a 4 nos critérios de Inovação Tecnológica, Potencial de Mercado, Capacidade Técnica e Viabilidade de Execução.
Se dois avaliadores apresentarem notas divergentes em mais de 30%, um terceiro avaliador é chamado para desempate.
O que acontece depois da aprovação
Empresas aprovadas têm até 30 dias após a publicação do resultado homologado para submeter a documentação de contratação.
O contrato é formalizado por meio de um Termo de Outorga de Subvenção Econômica, assinado eletronicamente pelo sistema E-Docs do Governo do ES.
O projeto tem prazo de execução de 24 meses, podendo ser prorrogado por mais 12 meses em casos justificados.
Os recursos são liberados em duas parcelas:
- A 1ª parcela é liberada após a assinatura do Termo de Outorga e comprovação do aporte da contrapartida financeira
- A 2ª parcela é liberada após o 12º mês, mediante prestação de contas parcial, gasto mínimo de 70% da 1ª parcela e conclusão do curso de propriedade intelectual do INPI por ao menos dois membros da equipe
A prestação de contas é feita em três momentos: ao final do 8º mês, do 16º mês e ao encerramento do projeto.
Os erros mais comuns que levam propostas bem-intencionadas à reprovação
Com base em nossa experiência em editais de inovação, os motivos mais frequentes de reprovação são:
1. Projeto em estágio TRL inferior ao exigido — a empresa acredita ter uma inovação pronta, mas não consegue comprovar documentalmente a maturidade mínima exigida.
2. Plano de trabalho genérico — metas vagas, cronograma superficial e critérios de aceitação inexistentes fazem o projeto perder pontos decisivos no julgamento de mérito.
3. Orçamento mal justificado — planilhas financeiras desconexas do plano de trabalho ou com itens não financiáveis comprometem a análise técnica.
4. ICT/IES sem aderência real ao projeto — escolher a universidade parceira por conveniência, sem verificar se ela tem competência comprovada na área do projeto, penaliza o critério de alinhamento.
5. Documentação incompleta na submissão — a habilitação é rígida. Qualquer documento ausente ou fora do prazo de validade resulta em eliminação imediata, sem possibilidade de complementação posterior (salvo erro de menor relevância, a critério exclusivo da FAPES).
Por que começar agora
O edital é de fluxo contínuo, mas os R$ 40 milhões são finitos. Quando o teto orçamentário é atingido, as propostas seguintes são colocadas em lista de espera condicionada à eventual alocação de novos recursos.
Além disso, como o critério de desempate entre propostas com a mesma pontuação é a antecedência de submissão, empresas que estruturarem sua proposta com cuidado e submeterem cedo têm vantagem concreta.
A preparação de uma proposta robusta – da concepção ao envio – leva de 4 a 8 semanas, dependendo da complexidade do projeto, da maturidade documental da empresa e dos processos administrativos da ICT parceira.
Como a Poliniza Projetos pode apoiar sua empresa
A Poliniza atua em todas as etapas do processo:
- Diagnóstico de elegibilidade: avaliamos se sua empresa e projeto atendem aos requisitos do edital
- Enquadramento estratégico: posicionamos o projeto dentro dos eixos temáticos e do ES 500 Anos da forma mais favorável
- Seleção da ICT/IES parceira: identificamos a instituição com maior aderência técnica ao seu projeto
- Elaboração do plano de trabalho: estruturamos metas, cronograma, critérios de aceitação e indicadores com foco nos critérios de avaliação
- Montagem do orçamento: organizamos a planilha financeira dentro das regras de itens financiáveis e não financiáveis
- Documentação de maturidade (Anexo II): organizamos e formatamos as evidências de TRL exigidas
- Submissão e acompanhamento: gerenciamos o processo no SIGFAPES e acompanhamos todas as fases até a contratação
Se você quer entender se a sua empresa tem perfil para este edital, entre em contato com a nossa equipe. O diagnóstico inicial é gratuito e sem compromisso.
Fale com a Poliniza: contato@polinizaprojetos.com.br | (27) 981011041
Publicado em maio de 2026 | Poliniza Projetos — Captação de Recursos e Gestão de Projetos de Inovação
Fontes: Edital FAPES 08/2026, publicado em 30/03/2026. Processo E-Docs nº 2026-RJCSW.

