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Finep Mais Inovação Brasil: o guia completo para empresas que querem acessar até R$ 50 milhões em subvenção federal

No início de fevereiro de 2026, o governo federal anunciou o maior desembolso de subvenção econômica para inovação da história recente do país: R$ 3,3 bilhões em recursos não reembolsáveis, distribuídos pela Finep em 13 chamadas públicas temáticas dentro do programa Mais Inovação Brasil – Rodada 2.

Para empresas com projetos de inovação em estágio de desenvolvimento ou validação, essa é uma das oportunidades mais relevantes disponíveis no Brasil neste momento. Neste artigo, a Poliniza Projetos explica o que é o programa, como ele está estruturado, quais são as chamadas em aberto, quanto cada empresa pode receber e o que define uma proposta aprovada.

 

O que é o programa Mais Inovação Brasil

O Mais Inovação Brasil é um programa federal operado pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Seu objetivo é conceder subvenção econômica direta a empresas brasileiras para o desenvolvimento de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) que envolvam risco tecnológico real.

Subvenção econômica significa que os recursos aprovados não precisam ser devolvidos. Diferente de um empréstimo ou financiamento convencional, trata-se de capital público aplicado diretamente na empresa para compartilhar o risco do desenvolvimento tecnológico.

A Rodada 2 foi lançada em 06/02/2026 e representa uma ampliação significativa em relação à rodada anterior: na primeira edição (2024/2025), o programa distribuiu R$ 2,5 bilhões e contratou 151 projetos. A segunda rodada chega com R$ 3,3 bilhões – um crescimento de 32% – e está estruturada em chamadas ainda mais focadas por setor e agenda estratégica.

 

A Nova Indústria Brasil: o contexto por trás do programa

Para entender o Mais Inovação Brasil, é preciso entender a política que o orienta.

A Nova Indústria Brasil (NIB) é a política industrial do governo federal, lançada em 2024, com foco em reindustrialização, soberania tecnológica e transformação produtiva do país. Ela organiza os investimentos públicos em torno de seis missões estratégicas:

     

      1. Cadeias agroindustriais resilientes, sustentáveis e digitais

      1. Complexo econômico-industrial da saúde

      1. Infraestrutura, saneamento e moradia sustentáveis

      1. Transformação digital da indústria

      1. Bioeconomia, descarbonização e transição energética

      1. Defesa nacional e segurança pública

    Todos os projetos submetidos ao Mais Inovação Brasil – Rodada 2 precisam estar alinhados a pelo menos uma dessas missões. Isso não é formalidade: o alinhamento é avaliado como critério de mérito e propostas sem aderência clara são eliminadas na fase de habilitação.

     

    As 13 chamadas da Rodada 2: onde sua empresa pode se encaixar

    A Rodada 2 não é um edital único e genérico. São 13 chamadas temáticas independentes, cada uma com regulamento próprio, orçamento dedicado, critérios de elegibilidade específicos e prazos diferenciados. A escolha da chamada certa é o primeiro e muitas vezes o mais decisivo passo na preparação de uma proposta.

    As principais chamadas em aberto (ou com prazos mais relevantes) são:

    Tecnologias Digitais

    Orçamento total: R$ 300 milhões Prazo de submissão: 30/09/2026 Foco: Inteligência Artificial, GPU Clouds, Robótica Avançada com IA, IA para proteção de crianças e adolescentes, Tecnologias Quânticas TRL elegível: 3 a 8 Valores: Arranjo Simples R$ 5–25 mi | Arranjo em Rede R$ 5–40 mi

    Esta chamada é voltada para empresas de tecnologia que desenvolvem soluções de IA, plataformas computacionais intensivas e sistemas robóticos avançados. O foco em “soberania digital” significa que projetos que reduzem a dependência de soluções estrangeiras têm apelo adicional.

    Cadeias Agroindustriais Sustentáveis

    Orçamento total: R$ 300 milhões (com reserva mínima de R$ 90 mi para Norte, Nordeste e Centro-Oeste) 

       

        • Prazo de submissão: 30/09/2026 

        • Foco: Inovação, circularidade e descarbonização no agronegócio e nas cadeias produtivas do setor 

        • TRL elegível: varia por linha 

        • Valores: Arranjo Simples R$ 5–25 mi | Arranjo em Rede R$ 5–50 mi

      Para empresas do setor agropecuário, de insumos agrícolas, de processamento de alimentos ou de tecnologias para o campo, esta é a chamada mais estratégica. Os maiores volumes estão disponíveis para projetos em Arranjo em Rede com participação de ICTs.

      Transição Energética

      Prazo de submissão: 31/08/2026 

         

          • Foco: Fontes renováveis, armazenamento de energia, hidrogênio verde, eficiência energética, descarbonização industrial 

          • Submissão: Fluxo contínuo até esgotamento dos recursos 

          • Valores: Arranjo Simples R$ 5–25 mi | Arranjo em Rede R$ 5–50 mi

        Setor de energia elétrica, petróleo e gás, mobilidade elétrica e indústrias intensivas em energia são os públicos naturais desta chamada.

        Saúde

        Prazo de submissão: 31/08/2026 

           

            • Foco: Produtos, processos e serviços inovadores para saúde humana, com risco tecnológico presente 

            • Submissão: Fluxo contínuo até esgotamento dos recursos

          Para empresas farmacêuticas, de dispositivos médicos, diagnóstico, saúde digital e biotecnologia.

          Economia Circular e Cidades Sustentáveis

          Orçamento total: R$ 150 milhões 

             

              • Prazo: set/2026 Foco: 

              • Economia circular, químicos de renováveis, água e esgoto, moradia e espaços públicos sustentáveis 

              • TRL: 3 a 7 

              • Valores: Arranjo Simples R$ 5–20 mi | Arranjo em Rede R$ 5–30 mi

            Base Industrial de Defesa

            Foco: Tecnologias estratégicas para o setor de defesa e segurança nacional 

               

                • Valores: Arranjo Simples R$ 5–25 mi | Arranjo em Rede R$ 5–50 mi

              Além dessas, há chamadas para Transformação Mineral, Mobilidade e outras linhas complementares. A chamada Subvenção Regional — voltada especificamente para Norte, Nordeste e Centro-Oeste — encerrou suas submissões em 07/04/2026.

               

              Arranjo Simples vs. Arranjo em Rede: qual escolher?

              Um dos pontos de maior dúvida entre empresas que avaliam o programa é a escolha entre os dois formatos de proposta:

              Arranjo Simples

              A proposta é apresentada por uma única empresa proponente. Uma ICT pode participar como parceira ou prestadora de serviços, mas não é obrigatória. Os valores vão até R$ 25 milhões dependendo da chamada.

              Arranjo em Rede

              A proposta envolve a empresa proponente + ao menos duas empresas coexecutoras + ao menos uma ICT. Ao menos 5% do valor total do projeto deve ser destinado à(s) ICT(s) participante(s). Os valores chegam a R$ 40–50 milhões, dependendo da chamada. A contrapartida financeira exigida da empresa costuma ser proporcionalmente menor.

              A escolha do arranjo depende da complexidade do projeto, da disponibilidade de parceiros qualificados e do volume de recurso necessário. Projetos que naturalmente envolvem múltiplos elos de uma cadeia produtiva — como no agronegócio — têm perfil natural para Arranjo em Rede.

               

              Contrapartida financeira: quanto a empresa precisa aportar

              A contrapartida financeira é obrigatória em todas as chamadas e é calculada sobre o valor total do projeto, com percentuais mínimos que variam conforme o porte da empresa (considerando sempre o maior porte entre as empresas do arranjo):

              Um diferencial importante: a contrapartida pode ser financiada por linhas de crédito reembolsável da própria Finep. Isso significa que empresas sem disponibilidade imediata de caixa podem estruturar o projeto combinando o recurso não reembolsável (subvenção) com uma linha de crédito da Finep para cobrir a contrapartida.

              O que é vedado: usar como contrapartida recursos já provenientes de outras subvenções, obrigações regulatórias de P&D (como as do setor elétrico ou petróleo) ou qualquer recurso de natureza não reembolsável de terceiros.

               

              Como funciona a seleção

              O processo seletivo de todas as chamadas segue a mesma estrutura em duas etapas:

              Etapa 1 — Habilitação (eliminatória)

              Verificação de elegibilidade jurídica e financeira, adequação dos documentos exigidos, conformidade do vídeo de apresentação (até 10 minutos), limites de valor, prazo máximo de execução e aderência temática à chamada escolhida.

              Atenção: a aderência temática já é verificada nesta etapa. Propostas que não demonstram conexão clara com o foco da chamada selecionada são eliminadas aqui, antes mesmo da análise técnica.

              Etapa 2 — Análise de Mérito

              Três critérios são avaliados:

                 

                  1. Consistência da proposta (eliminatório): o plano de trabalho é tecnicamente viável, o cronograma é realista, o orçamento é coerente e a equipe tem capacidade de execução?

                   

                    1. Grau de Inovação: a solução representa avanço real em relação ao estado da arte? Há risco tecnológico presente?

                     

                      1. Relevância da Inovação: qual o impacto esperado para o setor, para a competitividade nacional e para as missões da Nova Indústria Brasil?

                    A nota mínima para aprovação varia por chamada (1,20 em escala específica para algumas chamadas, 14 pontos em outras com escala diferente). Propostas abaixo do mínimo em qualquer critério eliminatório são desclassificadas.

                     

                    O que aprender com a Rodada 1

                    Os dados da primeira rodada revelam a dimensão do desafio: mais de 2.000 propostas submetidas, 151 contratadas — uma taxa de aprovação de aproximadamente 7,5%.

                    Os recursos contratados totalizaram cerca de R$ 2 bilhões, com contrapartida empresarial adicional de R$ 1,1 bilhão. O prazo médio de execução dos projetos aprovados gira em torno de 24 meses.

                    O que esse número revela? Que o maior gargalo não é a qualidade da tecnologia das empresas. É a qualidade das propostas. Empresas com inovações genuínas são eliminadas porque:

                       

                        • A proposta não demonstra risco tecnológico de forma clara e documentada

                        • O plano de trabalho é genérico, sem metas mensuráveis e critérios de aceitação definidos

                        • O orçamento é inflado, mal justificado ou inclui itens não financiáveis

                        • A ICT parceira foi escolhida por conveniência, não por competência técnica aderente

                        • O vídeo de apresentação (obrigatório) não transmite a capacidade da equipe com clareza

                      Cada um desses pontos é corrigível com preparação adequada.

                       

                      Prazos: o que ainda está aberto

                      ChamadaPrazo de Submissão
                      Tecnologias Digitais30/09/2026
                      Cadeias Agroindustriais Sustentáveis30/09/2026
                      Economia Circular e Cidades Sustentáveis~set/2026
                      Transição Energética31/08/2026 (fluxo contínuo)
                      Saúde31/08/2026 (fluxo contínuo)
                      Base Industrial de DefesaVerificar site Finep
                      Subvenção Regional (Norte/NE/CO)Encerrada (07/04/2026)

                      Atenção: chamadas em fluxo contínuo podem ser encerradas antes do prazo formal por esgotamento dos recursos disponíveis. Empresas que aguardam o prazo máximo correm o risco de não encontrar saldo disponível.

                       

                      Como a Poliniza Projetos apoia sua empresa nesse processo

                      A Finep é um programa federal de escala nacional, com critérios técnicos rigorosos e processo de elaboração significativamente mais complexo do que editais estaduais. Uma proposta bem estruturada para o Mais Inovação Brasil exige:

                         

                          • Diagnóstico preciso de elegibilidade e enquadramento na chamada certa

                          • Análise de maturidade tecnológica (TRL) do projeto e posicionamento adequado

                          • Estruturação técnica do plano de trabalho com metas, cronograma e critérios verificáveis

                          • Dimensionamento do orçamento dentro das regras de itens financiáveis

                          • Identificação e formalização de ICT parceira com competência alinhada ao projeto

                          • Produção do vídeo de apresentação exigido na habilitação

                          • Elaboração e envio via plataforma da Finep com toda documentação exigida

                        A Poliniza atua em todas essas frentes, com foco em construir propostas que passem pelo crivo da habilitação com zero pendências e que apresentem mérito técnico e estratégico sólido nas etapas seguintes.

                        Se você quer entender se o seu projeto tem perfil para uma das chamadas da Rodada 2  e em qual delas ele tem maior chance, entre em contato com nossa equipe para um diagnóstico inicial.

                         

                        Fale com a Poliniza: contato@polinizaprojetos.com.br | Telefone/Whatsapp: (27)98101-1041


                        Publicado em maio de 2026 | Poliniza Projetos — Captação de Recursos e Gestão de Projetos de Inovação

                        Fontes: Finep (finep.gov.br), MCTI, 4C P&D e Fomento, IPEA/CTS, regulamentos das chamadas públicas da Finep Mais Inovação Brasil — Rodada 2 (fev/2026).

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